Assédio moral e reputação das empresas no século 21

A atitude de uma única pessoa pode colocar no chão toda a história positiva de uma empresa. Diante de tantos casos de crise de imagem por assédio noticiados na imprensa atualmente, eu trago algumas dicas de como as empresas devem agir e se preparar diante dessa nova realidade que estamos vivendo

Assédio Moral – pressão psicológica exercida sobre alguém com quem se tem alguma relação de poder. (Portal Infopédia)

Uma seguidora do meu Facebook sugeriu que abordássemos esse tema um tanto quanto polêmico e lamentável, que ainda acontece em pleno século 21.

ASSÉDIO MORAL nas empresas.

São inúmeros os exemplos de assédio que podem acontecer em um ambiente de trabalho. Muitos passam por isso e muitas vezes sofrem sozinhos, com medo de pedir ajuda. Lamentável.

Além de infringir valores universais como dignidade, respeito, verdade, não faz sentido coagir as pessoas por qualquer motivo a partir de uma questão hierárquica de poder.

Infelizmente eu não tenho o conhecimento necessário para ajudar uma pessoa a lidar com esse tipo de situação. Quem sofre assédio moral deve conversar com líderes ou o departamento de Recursos Humanos da empresa, assim como buscar assistência jurídica.

Mas se tem uma coisa que entendo bem é o quanto esse tipo de atitude pode gerar uma forte crise de imagem e reputação dentro e fora de uma empresa, a ponto de fazer uma marca perder completamente sua credibilidade.

O abuso de poder já caiu em descrédito há muito tempo!

 Hoje, mais do que nunca, as empresas precisam de pessoas motivadas, felizes, dispostas, reconhecidas e valorizadas para dar melhores resultados. Esse é o ideal para o qual o mundo está caminhando. A gestão humanizada é realidade e quem pensa e age ao contrário, está ficando para trás.

Quando a empresa deixa de agir em um caso de assédio, essa informação vai chegar em outras pessoas mais cedo ou mais tarde. A forma como as informações correm atualmente exige cada vez mais clareza e transparência por parte das organizações.

Pensando na necessidade de transparência e melhoria constante das empresas, gostaria de analisar duas situações recentes que abordam temas “polêmicos” e mostram como o mundo está mudando.

 

Caso de assédio nº 1 – “Uma brincadeira que não tem nada de mais”

Assédio Moral - Caso José Mayer

Um caso de assédio extremamente comentado recente é o do ator José Mayer com a Figurinista da Rede Globo Su Tonani.

José Mayer teve sua imagem manchada depois de ser acusado de assédio. O caso ganhou uma repercussão nacional e algumas atrizes da emissora inclusive começaram a levantar a bandeira do Movimento “Mexeu com uma mexeu com todas”.

Ele, inclusive, foi afastado dos trabalhos. Isso mostra que a voz de quem sofre assédio pode ser mais forte do que o assediador.

E empresas que possuem colaboradores com comportamentos que denotam qualquer tipo de assédio precisam estar atentas a isso. Ao não se posicionar diante desse tipo de situação, um dia ou outro serão julgadas e terão sua marca envolvida em notícias negativas.

 

 

Caso de assédio nº 2 – Gerente do banco Itaú foi demitido por “ser gay demais”

Assédio Moral - gerente banco Itaú demintido

Esse assunto repercutiu nas redes sociais e em portais de notícias durante o mês de abril deste ano.

As informações da imprensa trazem um gerente do banco Itaú, que promovia ótimos resultados segundo as notícias publicadas, a ponto de ganhar 10 prêmios por metas conquistadas, foi demitido logo depois de ter voltado de suas férias, de onde postou nas redes sociais um vídeo de pedido de casamento que recebeu de seu noivo.

O ex-gerente move uma ação trabalhista contra o banco por danos morais e discriminação.

E em seus relatos, ele diz que houve casos em que a gestora chamava sua atenção pelos seus “trejeitos”.

Enfim, foi visto ali que a orientação sexual do ex-gerente “incomodava” a gestão, que optou pela demissão sem abrir para a imprensa o real motivo do desligamento.

Muitos veículos de comunicação foram até o banco pedir explicações e recebiam sempre o mesmo posicionamento: “não podemos falar o motivo da demissão por confidencialidade”.

Uma atitude como esta pode gerar na cabeça das pessoas a ideia de que essa empresa não é totalmente transparente e não vive o posicionamento de pluralidade que prega em suas campanhas publicitárias.

Por mais que seja difícil saber o que de fato ocorreu, a omissão dos fatos ou o não posicionamento da empresa, consequentemente, faz com que quem está de fora entenda e subentenda as piores coisas possíveis e forma sua própria opinião.

 

Assédio Moral - opressão

 

Como controlar todos os pormenores?

Diante dessa realidade, as empresas devem adotar uma postura voltada para fortalecer valores internos e melhor a comunicação com todos os envolvidos no negócio, do mais alto escalão aos que estão na linha de frente com o cliente.

Valores não servem para estar apenas pregados nas paredes. Precisam ser vividos. E aliás, é fundamental que as empresas tenham um código de cultura completo, com as virtudes que esperam que a equipe tenha, consequências do descumprimento das normas e com os valores detalhados em frases e com exemplos claros de como esperam que a equipe viva esses valores e como observam que a equipe não está vivendo esses valores.

Por exemplo, se um dos valores da sua empresa é a pluralidade, você pode descrever que a equipe não vive este valor da seguinte forma: fazendo piadas preconceituosas de qualquer tipo, contratando um único perfil de colaborador, tomando decisões com base em vivências da vida pessoal do colaborador, sendo desrespeitoso com os colegas dentro e fora do ambiente de trabalho, dando feedbacks relacionados à diferença pessoal e não às competências necessárias para o desempenho da função etc.

Além de ter total clareza ao descrever, é fundamental que a empresa saiba transmitir esses valores e invista em programas que mostram como viver a cultura da empresa no dia a dia. Quanto maior a empresa, mais ela tem que estar preocupada em transmitir essas informações com qualidade.

Se mesmo assim, alguma caso de assédio acontecer, a empresa precisa ficar em estado de alerta, averiguar a veracidade dos fatos e se posicionar. É fundamental que ela tome decisões também com base em seus valores. Se algum colaborador ferir este código, precisa ter as consequências.

Certa vez ouvi a história de uma empresa – não lembro se foi em um livro ou palestra – que tinha como principal valor a simplicidade, e isso significava reduzir custos desnecessários, viver apenas com o essencial etc.

Nessa corporação, um dos diretores chegou um dia de carro importado, último modelo. Obviamente, não era essa a posição que um líder dessa empresa poderia ter. Como poderia exigir algo totalmente distante da forma como vivia? Por isso, tomaram a decisão de demitir este colaborador.

Cito este exemplo para você ter uma ideia de quão longe uma empresa precisa enxergar seu código de cultura. É a forma de viver que precisa ser introjetada na equipe para se tornar realidade no dia a dia da instituição.

Sei que é um desafio e tanto mais comece por aí: para evitar que casos de assédio de qualquer tipo denigram a imagem da sua empresa que você luta tanto para construir, invista em um bom código de cultura e em ações que façam a equipe viver verdadeiramente o que você deseja.

Já é um bom começo para que você tenham uma empresa melhor e crie uma sociedade melhor para o mundo. Afinal, estamos aqui para muito mais além do lucro, não é mesmo?

Vamos mudar essa realidade junto comigo? Compartilhe este conteúdo e vamos tornar as empresas mais responsáveis e reduzir os casos de assédio. É preciso existir regras e, se as empresas apostarem nessa educação positiva de suas equipes, aqueles que não se encaixam não terão mais espaço no mercado.

Assédio Moral - até próximo artigo

#CHEGADEASSÉDIO

 

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