7 ensinamentos de Luiza Trajano sobre Posicionamento e Autoridade

Selecionamos algumas coisas que aprendemos com a ex-CEO e presidente do conselho do Magazine Luiza,
a Luiza Trajano

No mundo empresarial e do empreendedorismo, não há quem não tenha ouvido falar de Luiza Helena Trajano. Considerada uma das mulheres mais influentes do país, Luiza Trajano começou a trabalhar na loja dos tios em Franca aos 12 anos e, ao longo de 30 anos, galgou os degraus do sucesso e transformou uma pequena rede do interior de São Paulo em uma das maiores e mais inovadoras redes de varejo do país.

Com uma história invejável de energia e empreendedorismo, Luiza Trajano já se tornou uma das mais disputadas palestrantes e entrevistadas da mídia, além de se engajar em diversas causas, como representante da União no Conselho Público Olímpico e uma das principais representantes do Grupo Mulheres do Brasil.

Em vez de contarmos a história da empresária e destacar aquilo que ela diz, decidimos listar os principais aprendizados que podemos ter com base na conduta e no discurso de Luiza Trajano. Todos eles são relacionados ao posicionamento dela como uma marca pessoal, e ensinam a desenvolver melhor a autoridade.

 

1- Não queira ser o primeiro lugar

Crescer como empresa é sempre importante, claro, mas Luiza Trajano não se preocupa em ocupar o chamado primeiro lugar entre as empresas do seu nicho. Respeitosa com os concorrentes, ela sempre deixou claro que se preocupa com o cliente, com os vendedores, com a equipe, e busca inovar ou vender mais sem olhar para a concorrência com “inveja”. Note bem: ela não ignora a concorrência, mas a encara como um elemento importante e que não define necessariamente os seus próximos passos.

No livro “Posicionamento”, de Al Ries e Jack Trout, é ensinado que “chegar em primeiro” é um dos principais fatores para se diferenciar dos demais. Todos se lembram do primeiro homem que chegou à lua, da montanha mais alta do mundo, etc. Quando se está em segundo, terceiro ou décimo lugar, a melhor coisa a fazer é se diferenciar de outras maneiras. E Luiza Trajano prova que isso é possível.

 

 

2- Não promova a narrativa de sofrimento
(a menos que seja verdade)

Luiza Trajano é muito verdadeira, e acredita na narrativa que mantém: a de que sua trajetória não foi de sofrimento ou de quem “começou do zero”.

Não há problema nenhum em contar esse tipo de história: muitos empreendedores passaram por dificuldades e foram criados em ambientes de muita pobreza, e por isso suas trajetórias de superação se tornam inspiradoras e ainda ajudam a formar uma marca pessoal.

No entanto, Luiza Trajano não é o tipo de pessoa que pensa dessa maneira, e não encara sua trajetória como algo que lhe trouxe sofrimento. Pelo contrário: otimista, ela parece estar sempre de bem com a vida mesmo diante de adversidades. Não faria sentido, portanto, se ela vendesse uma história que não condiz com aquilo em que acredita.

O mesmo para o “fator mulher”. Ainda que se posicione como uma mulher que esteve sempre em ambientes historicamente dominados por homens, Luiza não se posiciona como uma mulher que sofreu com o machismo, por exemplo, mas como alguém que venceu apesar deste fator.

Quem deseja vender a imagem de superação precisa ter uma história e um comportamento realmente condizentes com isso. Não adianta querer vender esse tipo de história e não carregar consigo essa verdade.

 

 

3- Sinta-se responsável pelo país

Quando dizemos que “o mundo atual clama por bons influenciadores” e “é preciso querer contribuir com a sociedade verdadeiramente”, isso tem a ver não apenas em promover algo bom, mas sentir-se parte do todo. Ao lutar por um país mais igualitário e defender a criação de 20 milhões de casas populares, Luiza Trajano afirma: “imagina quanta geladeira e fogão eu vou conseguir vender”. Esse posicionamento é claro: Luiza entende que um país melhor para todos será também melhor para sua empresa.

É o que todos deveríamos pensar, mas há quem ainda acredite que lutar por uma causa é um “gasto” que não trará benefícios. Acontece que o sentimento de accountability (que significa sentir-se responsável pelo todo de forma proativa) é fundamental para fomentar o desenvolvimento do país e, consequentemente, mais vendas.

Não é necessário querer “salvar o mundo”. Você pode escolher uma luta que lhe faça sentido e seguir com ela adiante. Também pode não ser uma boa ideia sair defendendo todos os tipos de causa e comentar sobre política de maneira desenfreada. A própria Luiza, por exemplo, sempre diz que está do lado do Brasil quando questionada sobre eventuais conexões a políticos específicos.

 

 

4- Não exija a perfeição de si mesmo

Em entrevista para Marília Gabriela, Luiza Trajano disse que não tem o compromisso de ser perfeita. Em vez de querer sair ganhando a qualquer custo, a empresária sempre tenta ser inovadora e eficiente, valorizando sua equipe, e sabendo que existe a possibilidade de que algo não dê certo.

Elogiada pela sua humildade, Luiza sempre conta o que lhe acontece com naturalidade. Seja diante de um tombo enquanto carrega a tocha olímpica ou em uma polêmica com um jornalista, Luiza encara os problemas como oportunidades. O mesmo acontece com as crises em sua empresa: ela apenas diz o que fez e o que não fez, sem se martirizar caso tenha errado.

5- Quando necessário, redefina sua empresa

O Magazine Luiza é “uma empresa digital com pontos físicos e calor humano”. É assim que Luiza Trajano define sua empresa. Considerada inovadora em vários aspectos no meio digital, a rede de lojas redefiniu seu posicionamento. Diante da venda pela internet cada vez maior, do crescimento de empresas “100% digitais” e de uma realidade que muda cada vez mais, era de se esperar que uma rede de lojas físicas tivesse que se transformar. Aplicativos que permitem que uma pessoa seja quase uma “afiliada” da rede com base em comissões, investimento em lojas menores para fomentar a compra pela internet – já que as compras online são maiores nas cidades com lojas – e a interação do vendedor da loja com o comprador por meio do celular são algumas medidas para transformar a empresa em digital.

As lojas de varejo que insistirem em ficar somente no off-line estarão fadadas ao fracasso. Em um mundo que muda constantemente, não mudar é pedir para perder.

6- Seja otimista e não reclame

Ao contrário de tantas pessoas, Luiza Trajano demonstra em suas entrevistas o quanto é otimista em relação ao Brasil – e ao mercado! Mais do que isso, ela não reclama de nada e sempre busca ver o copo “meio cheio”.

Diante das crises políticas que o Brasil vem enfrentando, ela utiliza a metáfora do “mito da águia” como forma de enxergar o lado bom da situação. Segundo ela, o país está removendo o bico e as penas para se renovar.

Isso só mostra o quanto o pessimismo e a reclamação podem ser ruins para qualquer um, ainda mais alguém que comanda uma empresa. Parar de reclamar e ver somente o que é ruim apenas fecha os nossos olhos para as oportunidades.

7- Não tem vergonha de vender

Em todo lugar que vai, Luiza Trajano faz propaganda de sua empresa. Fala do aplicativo, cita as vantagens, destaca a história da empresa. Ela não tem vergonha de vender, já que acredita no trabalho que faz.

Enquanto isso, muitos empreendedores seguem com vergonha de se vender e vender própria empresa. Acham que vão parecer arrogantes caso ressaltem o que possuem de bom e os fatores que devem ser valorizados!

Mas isso não é verdade. Pelo contrário: com inteligência e preparo, toda hora é hora de se vender. Só tem vergonha de vender a própria imagem quem não acredita no próprio trabalho.